KIOSKO GALERIA

Residência artística. Santa Cruz de la Sierra, Bolivia. 
2024.

Website Kiosko Galería.



Joado Filho foi artista residente na Kiosko Galeria entre maio e junho de 2024, em Santra Cruz de la Sierra, Bolívia. Nesse período o artista se dedicou a investigar as confluências estético-políticas do país e do contexto brasileiro. Atento às dinstinções entre República e Estado Plurinacional na Bolívia, bem como às dinâmicas de polarização generalizada e a escalada da economia agropecuária enquanto força política e identitária nos dois países, Joardo se apropriou de elementos como mapas e moedas locais para ficionalizar a ascensão de um novo estado nacional a partir ocupação de territórios do Brasil e da Bolívia no centro da América do Sul, a chamada "República Central do Agro".

A residência do artista contou com viagens de campo à cidade de El Alto, bem como um bate-papo com o público na Kiosko Galeria para apresentação de sua trajetória e de seu projeto em desenvolvimento na Bolívia. 




Bate-papo. Kiosko Galeria.




República / Estado Plurinacional. 2024.
Duas moedas de mesmo valor em circulação no comércio, sendo que uma delas, mais desgastada, foi cunhada ainda na República. Já a outra, mais brilhante, é do recém-criado (2009) Estado Plurinacional. Os ideiais dos dois sistemas políticos - e seus efeitos - circulam na sociedade sem que a inovação constitucional tenha conseguido superar totalmente os traços do antigo sistema.

No contexto maior da América Latina (em que predominam as Repúblicas), o caso da Bolívia provoca a refletir se há algo de falido em nossas tentativas de construir democracias fortes e justas em sociedades afetadas pela colonização. Ou, ainda, se cunhar novos símbolos e textos nos faz avançar mantendo afastados os fantasmas de retrocessos.





República Central do Agro (2024)
A junção do departamento de Santa Cruz (BO) com os estados de Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul (BR) é uma forma de refletir sobre a configuração da América do Sul a partir de questões específicas observadas na cidade de Santa Cruz de la Sierra.

República: A Bolívia passa por uma crise política que tornou o país dividido entre a visão de mundo andina e a distante realidade das planícies baixas. Apesar de exercer um importante papel crítico, a região não-andina tornou-se também solo fértil para movimentos que vão do separatismo ao fascismo travestido de defesa de ideais republicanos.

Centro: O redesenho dessa região coloca em perspectiva o próprio formato da América do Sul. O Brasil é praticamente sua metade. Ele é o resultado de um Tratado de Tordesilhas que acabou se efetivando - mais a oeste do que o previsto. E é justamente nesse território empurrado pelas ondas de colonização que estamos. Mais próximos dos países vizinhos do que poderíamos supor. Inclusive envoltos sempre em crises muito similares.

Agro: Santa Cruz de la Sierra (SC) se parece muito com Goiânia (GO). Talvez porque ambas são capitais que se esforçam para serem modernas em meio a uma economia agropecuária. Mas quão forte é a influência do agro na nossa cultura e na nossa situação política? Poderia o ímpeto separatista aflorar um dia no oeste brasileiro? A especulação é mais irônica do que qualquer outra coisa. Porém, talvez cruceños e centro-oestinos se entreolhem e descubram que pode haver uma forte conexão para além da contiguidade entre ambas terras de monocultura.