FLORALIS
Sem título. 2017.
Impressão em papel Canson Matte.
40×60 cm cada.
Alegoria da morte do monumento, o políptico Sem título (2017) é uma obra adensada, de clima soturno e misterioso, que articula narrativa fragmentada, composta por duas sequências de quatro fotografias preto e branco, cada. Na sequência superior registros noturnos da escultura Floralis generica, obra cinética e luminosa do arquiteto argentino Eduardo Catalano situada em um parque de Buenos Aires; na inferior imagens apropriadas de cenas do filme Blow-up, do cineasta italiano Michelangelo Antonioni, cuja trama narra a estória de um fotógrafo que ao fazer fotos em um parque registra a cena amorosa entre um casal e os indícios de um homicídio. Parques são locais onde geralmente se constroem monumentos e se instalam estátuas e bustos comemorativos ignorados pelos visitantes e namorados furtivos; a escultura argentina que se abre como uma rosa exalando romantismo é uma armadilha kitsch que seduz o olhar; a arma na mão anônima de um personagem do filme parece disparar contra o monumento, objeto de admiração e de repugnância.
Divino Sobral, 2017.
Trecho do texto curatorial da mostra "Expaços Invisíveis" de Joardo Filho